O empréstimo consignado para trabalhadores com carteira assinada é famoso por oferecer taxas de juros mais baixas. O desconto direto na folha de pagamento reduz o risco de inadimplência para os bancos.
Mesmo assim, basta conversar com colegas da mesma profissão para notar uma realidade intrigante. Dois trabalhadores com a mesma renda podem pagar taxas de juros completamente diferentes no consignado CLT.
Enquanto um consegue taxas bastante reduzidas, o outro acaba pagando o dobro do valor em seu contrato. Afinal, por que existe essa diferença de juros no crédito consignado privado?
Nas próximas linhas, você vai entender quais fatores influenciam a taxa do consignado CLT, aprender como o mercado calcula o risco do seu contrato e saber o que fazer para pagar menos.
O funcionamento do empréstimo consignado no setor privado
Antes de tudo, para entender a variação nas taxas, precisamos analisar a estrutura do consignado CLT. Diferente de aposentados do INSS e servidores públicos, o trabalhador privado depende da empresa onde trabalha.
A modalidade exige um convênio prévio entre a empresa empregadora e a instituição financeira. O banco precisa ter garantias de que a empresa repassará os valores descontados do salário.
A estabilidade da empresa e do segmento no qual você trabalha pesa bastante nessa conta. É a análise dessa estrutura que dita o tamanho do risco percebido pelo banco.
Portanto, quanto menor o risco de o banco ficar sem receber, menor será a taxa de juros oferecida ao trabalhador.
Principais fatores que fazem a sua taxa de juros subir no consignado CLT
Diversos elementos entram na balança na hora em que o banco define a taxa do seu contrato. Acompanhe a seguir os principais motivos que geram essa grande divergência de valores:
1. Convênio e porte da empresa empregadora
Grandes corporações e multinacionais possuem saúde financeira sólida e baixo risco de falência. Os bancos disputam essas empresas e oferecem tabelas de juros bem mais agressivas.
Empresas de pequeno e médio porte costumam ter menos opções de convênios bancários. Com pouca concorrência entre as instituições financeiras, as taxas cobradas acabam sendo mais altas.
2. Tempo de registro em carteira e estabilidade profissional
O tempo de casa do trabalhador certamente traz segurança ao credor. Um funcionário com cinco anos de empresa corre menos risco de demissão no curto prazo.
Já um trabalhador que acabou de passar pelo período de experiência representa maior risco de rescisão. Para compensar essa incerteza, o banco aplica uma taxa de juros superior.
3. Histórico de crédito e pontuação de score
Embora o desconto ocorra direto no contracheque, o histórico financeiro do cliente ainda é consultado. Pessoas com restrições no nome podem encontrar juros mais altos ou propostas restritivas.
O score de crédito sinaliza o seu comportamento como pagador. Um bom score ajuda a destravar condições de pagamento muito mais vantajosas.
4. Políticas de risco e margem de garantia das rescisões
Em caso de demissão sem justa causa, uma parte das verbas rescisórias e do FGTS serve para amortizar o saldo devedor.
Se o saldo da sua conta do FGTS for baixo, a garantia cobrada na rescisão diminui. Isso faz o banco aumentar a taxa mensal para cobrir eventuais perdas.
Como o Custo Efetivo Total (CET) esconde juros mais altos
Ao comparar duas propostas de crédito, não olhe apenas para a taxa nominal de juros mensal. O indicador mais importante para a sua decisão é o Custo Efetivo Total, conhecido como CET.
O CET reúne todos os encargos cobrados pela instituição financeira em um único percentual. Ele inclui impostos (IOF), tarifas de cadastro, seguros operacionais e despesas administrativas.
Muitas vezes, um banco divulga uma taxa de juros aparentemente baixa na propaganda. Contudo, ele embuti uma série de tarifas extras no contrato de empréstimo.
Ao somar esses custos adicionais, o valor final pago por mês sobe consideravelmente. Por isso, exija sempre o detalhamento do CET antes de assinar qualquer documento de crédito.
Dicas práticas para diminuir a taxa do seu empréstimo CLT
Se você precisa de crédito mas quer fugir de cobranças abusivas, existem medidas práticas que ajudam a baratear o custo final:
- Pesque o melhor momento da sua carreira: Espere acumular um tempo maior de carteira assinada para solicitar valores mais altos.
- Pesquise em diferentes instituições: Não aceite a primeira proposta enviada pelo banco onde você recebe o salário.
- Consulte o seu saldo do FGTS: Garanta que a margem de garantia da rescisão esteja visível e liberada para consulta.
- Recuse seguros não solicitados: Verifique se não há seguros opcionais embutidos sem o seu consentimento prévio.
- Analise a portabilidade de crédito: Se você já possui um consignado caro, transfira o contrato para um banco com juros menores.
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